Lançamento do livro “Falso Movimento: ensaios sobre escrita e cinema”

Convidamo-lo para a sessão de lançamento do volume Falso Movimento: ensaios sobre escrita e cinema, organizado por Clara Rowland e Tom Conley, e editado pela Livros Cotovia.
 
Este livro resultou da investigação desenvolvida no projecto “Falso Movimento – estudos sobre escrita e cinema” (Centro de Estudos Comparatistas, FLUL) entre os anos de 2012 e 2015, e é composto por ensaios da autoria dos membros da equipa e dos consultores do projecto Marc Cerisuelo, Rosa Maria Martelo e Tom Conley.
 
A sessão terá lugar na livraria Linha de Sombra, nas instalações da Cinemateca Portuguesa, pelas 18h00 de segunda-feira, dia 28 de Março. A apresentação estará a cargo de Clara Rowland, Osvaldo Silvestre e Luís Miguel Oliveira.
 
Confira o cartaz abaixo. Para mais informações, consulte a página oficial da editora.
lançamento cotovia

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Ciclo sobre Cinema e Escrita na Cinemateca em Março

A Cinemateca Portuguesa associou-se ao projecto Falso Movimento na concepção do ciclo “Cinema e Escrita”, que decorrerá ao longo do mês de Março na Cinemateca. Em baixo reproduzimos a descrição do ciclo:

“Cinema e Escrita”, e não “Cinema e Literatura”: distinção fundamental no caso deste Ciclo, que convém salientar imediatamente. Não se trata de abordar pela enésima vez o tema das relações entre cinema e literatura (tema quase sempre submergido pela questão da “adaptação”) mas de refletir um pouco sobre o modo como o cinema, domínio da imagem, se relacionou e relaciona com a escrita, domínio da palavra, sobre os modos como o cinema incorporou, ou “inscreveu”, a escrita, tomada enquanto objeto de natureza textual mas também enquanto atividade. Tema muito vasto, obviamente inesgotável num só Ciclo com esta dimensão, que se preocupa sobretudo em oferecer algumas pistas e dar a ver alguns casos concretos da multiplicidade de formas que essa relação pode tomar. A tradição do “filme epistolar”, por exemplo, onde as cartas, reveladas na íntegra ou não, são o motor dramático ou mesmo a principal matéria, e de que abundam exemplos no cinema clássico mas também na modernidade de um filme como o NEWS FROM HOME de Chantal Akerman. Ou o cinema que também é feito “para ler”, distinção que por absurdo incluiria todo o cinema mudo com intertítulos mas que também cobre objetos em que o “convite à leitura” tem outro tipo de densidade, do ANEMIC CINEMA de Marcel Duchamp às constelações de fragmentos escritos que povoam tantos filmes de Godard (como NOUVELLE VAGUE). A presença da literatura, ou de um texto ou alusão de cariz literário, não como matéria sujeita a adaptação, mas como dínamo para a narrativa ou para a ação (como sucede no OUT 1 de Rivette). Os casos em que o cinema se reinventou como modo alternativo de pegar em práticas tradicionalmente da ordem da escrita: os filmes-diário, na primeira pessoa ou não, como o WALDEN de Jonas Mekas. Ainda mais peculiares, as experiências que tentaram inscrever a própria crítica de cinema num objeto cinematográfico “comum” (LES CINÉPHILES, de Louis Skorecki), sem esquecer que uma das ideias cruciais para o nascimento do cinema moderno se reportava à dimensão manual do ato da escrita, no texto fundamental de Alexandre Astruc (“La Caméra-Stylo”), aqui representado por LE RIDEAU CRAMOISI. Outras pistas e ideias surgirão pontuadas pelos vários filmes que compõem o Ciclo, mas cabe ainda referir, muito especificamente, esses retratos, bastante alucinados, do processo de criação escrita que são o NAKED LUNCH de Cronenberg e o IN THE MOUTH OF MADNESS de Carpenter, filmes onde o cinema e a escrita se fundem na imaginação de um universo mental.
O Ciclo foi concebido em colaboração com o Projeto Falso Movimento – Estudos sobre Escrita e Cinema, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que ao longo dos últimos anos organizou vários seminários e sessões de reflexão sobre o tema, algumas delas realizadas aqui na Cinemateca.

O programa completo pode ser consultado em http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=620.

 

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Inscrições abertas: Workshop ‘O Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa’

Ainda é possível realizar a inscrição no workshop “O Ensaio Audiovisual e a Crítica como Prática Criativa”, que terá lugar na FCSH-UNL entre 8 e 19 de Fevereiro.

Como resultado de um processo colaborativo com o projecto Falso Movimento, será sorteado um exemplar de “Último Dia Todos os Dias”, de Adrian Martin (punctum books/Centro de Estudos Comparatistas da FLUL).

Adrian Martin e Cristina Álvarez López, consultores do nosso projecto, liderarão uma das sessões do curso.

Mais informações aqui e aqui.

 

cartaz fcsh

 

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Dias do Desassossego – ciclo de cinema

19, 20 E 21 DE NOVEMBRO – FILMES
INADAPTAÇÕES: FILMES COM LIVROS
CINEMA MONUMENTAL, SALAS 3 E 4
PREÇÁRIO €5

Filmes com livros dentro, filmes sobre livros, filmes desassossegados pela literatura: um ciclo sobre os modos de inscrição da escrita e da leitura no cinema, e sobre os diálogos possíveis (além da adaptação) entre ideias de cinema e ideias de literatura, em colaboração entre a Fundação José Saramago, a Casa Fernando Pessoa e o projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema*, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.
Escolhas e apresentações de Pedro Mexia, Tiago Baptista, Osvaldo Silvestre e Mário Jorge Torres.

Por Tiago Baptista
JUVENTUDE EM MARCHA
DE PEDRO COSTA
QUINTA ÀS 21H30

Por Mário Jorge Torres
ALL THAT HEAVEN ALLOWS / O QUE O CÉU PERMITE
DE DOUGLAS SIRK
SEXTA ÀS 21H30

Por Pedro Mexia
A SERIOUS MAN / UM HOMEM SÉRIO
DE ETHAN COEN E JOEL COEN
SÁBADO ÀS 19H00

Por Osvaldo Silvestre
IN THE MOUTH OF MADNESS / A BÍBLIA DE SATANÁS
DE J. CARPENTER
SÁBADO ÀS 21H30

*O projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema (PTDC/CLE-LLI/120211/2010) é um projecto do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.

Mais informação e programa completo aqui.

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Colóquio Ofício Múltiplo – Poetas em Outras Artes, Faculdade de Letras do Porto, 22-24 Outubro

A Rede LyraCompoetics e o grupo Intermedialidades do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organizam nos próximos dias 22 a 24 de Outubro o Colóquio Internacional Ofício Múltiplo – Poetas em Outras Artes que terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (dias 22 e 23) e no Palacete dos Viscondes de Balsemão (dia 24), com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Câmara Municipal do Porto e da Reitoria da Universidade do Porto.

É cada vez mais frequente os poetas associarem a criação verbal e o recurso a outras linguagens artísticas, quer em formas híbridas ou compósitas, quer recorrendo alternadamente à palavra escrita, às artes plásticas, à música, a diferentes meios audiovisuais, digitais e performativos. Se este trânsito se tornou mais comum na criação contemporânea, que explora o impacto das relações de intermedialidade e transmedialidade, já ao longo do século XX muitos autores se dividiam por um ofício múltiplo, ora votados à poesia escrita, ora trabalhando a imagem visual, ou a imagem em movimento, ou outros processos criativos. E todavia, a assimilação teórica e crítica da obra desses autores como um todo tem-se revelado lenta, sendo mais comum tratar-se apenas um dos seus campos criativos, ou, na melhor das hipóteses, considerar-se os vários domínios de criação, mas separando-os em função de abordagens críticas sem qualquer diálogo entre si. Acresce que as dificuldades em tratar criticamente este tipo de obras fez com que algumas permanecessem injustamente esquecidas ou pouco estudadas.

São estes autores – plurais e diversificados nas linguagens artísticas a que recorrem – que pretendemos estudar sob a ideia de um ofício múltiplo. Poderão estes criadores facultar-nos uma nova perspectiva dos diálogos entre a poesia e as outras artes nos séculos XX e XXI? Constituirão um cânone específico? Levantam questões novas no plano da teoria e da crítica? Levam-nos a repensar a ideia de poesia e o lugar da poesia na relação com as outras artes? Permitem-nos entender de que modo as correlações entre as artes foram sendo equacionadas e avaliadas? Eis as questões que deverão orientar os trabalhos do colóquio.

A Comissão Organizadora
Pedro Eiras
Joana Matos Frias
Rosa Maria Martelo

Programa

Dia 22. FLUP. Sala de Reuniões

10H00
Início dos trabalhos
Conferência de abertura: ARTURO CASAS (U. Santiago de Compostela), “Acto e acción poéticos, acto e acción fotográficos”

MESA 1
11H00

CÉLIA PEDROSA (U. Federal Fluminense), “Poesia e outras artes: Jorge de Lima, a modernidade e a contemporaneidade”
LUIS MAFFEI (U. Federal Fluminense), “As fotografias de Luís Quintais ou aprender a ler poesia na fresta”
GUSTAVO RUBIM (U. Nova de Lisboa), “SMS e rasuras: elipse do livro em Álvaro Seiça e Ricardo Tiago Moura”

Intervalo para almoço

MESA 2
15H00

MARGARIDA PONS (U. das Ilhas Baleares), “Una poética degenerada: las videocreaciones de Ester Xargay”
RUI TORRES (U. Fernando Pessoa), “Itinerários do som: Miguel Azguime, uma arte literária dos meios”
SOFIA DE SOUSA SILVA (U. Federal do Rio de Janeiro), “Nos passos de Martim Codax: poesia e música em apropriações contemporâneas das cantigas do mar de Vigo”

MESA 3
16H50

LUIZ VALENTE (U. Brown), “Glauber Rocha: entre o cinema e a poesia”
JOSÉ BÉRTOLO (U. Lisboa), “Robert Falcon Scott e uma promessa de cinema num poema de Cocteau”

Jantar

Dia 23. FLUP. Sala de Reuniões

MESA 4
10H00

DAVID PINHO BARROS (U. Porto), “As Cidades Obscuras e suas periferias transmediais: O Caso Desombres”
AMÂNDIO REIS (U. Lisboa), “A encenação do poema segundo António Patrício”
ADÍLIA CARVALHO (U. Porto)v, “India Song – Texto, teatro, cinema – “Peça” do ciclo indiano de Marguerite Duras”

MESA 5
11H45

EUNICE RIBEIRO (U. Minho), “Aproximação à matéria: Maria Andresen: dos poemas, das pinturas”
EMÍLIA ALMEIDA (IHA U. Nova de Lisboa), “Da liberdade livre das imagens: a poesia segundo M.C.V.”
SONIA MICELI (U. Lisboa), “Ruy Duarte de Carvalho e a poética da fronteira”

Intervalo para almoço

MESA 6
15H00

CATHERINE DUMAS (U. Paris 3), “Salette Tavares: do objecto e do «eu»”
BULGHARD BALTRUSCH (U. Vigo), “Fendas poéticas no espaço público – Uma aproximação teórico-prática à acção poética a partir de Banksy e (±) Miguel Januário”
PEDRO SERRA (U. Salamanca), “El Drama del Lavaplatos, O processo criativo de Eugénio Tisselli”

MESA 7
16H50

IDA ALVES (U. Federal Fluminense/CNPq), “Fixar o relâmpago em palavras”
JOANA MATOS FRIAS (U. Porto), “Para uma poética dos espaços em branco: Os poemas-colagem de Rui Pires Cabral”
PEDRO EIRAS (U. Porto), “Santa-Rita Pintor: todas as artes, arte nenhuma”

DIA 24. PALACETE DOS VISCONDES DE BALSEMÃO

15H00
Ofício Múltiplo, mesa-redonda com LUCA ARGEL, MIGUEL-MANSO, RICARDO DOMENECK e RUI TORRES. Moderação de JOANA MATOS FRIAS e PEDRO EIRAS

16H50
TIAGO MANUEL e ROSA MARIA MARTELO, “Luis Manuel Gaspar e as imagens da poesia”

17H00
Abertura da Exposição “Luz Acesa nos Bastidores”, de LUIS MANUEL GASPAR
Porto d’honra

PANFLETO DO COLÓQUIO

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Curso Livre “Cinema Português e Ibero-americano”, na Faculdade de Letras de Lisboa

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Mais informações.

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Cours de cinéma – 5

Sylvie Pierre sobre Serge Daney.

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Cours de cinéma – 4

Marc Cerisuelo sobre estilo e matéria do cinema.

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Cours de cinéma – 3

Marc Cerisuelo: “Plaisir caché?”

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Cours de cinéma – 2

Marc Cerisuelo sobre “Paris et la comédie sophistiquée”.

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Cours de cinéma – 1

Frédéric Gimello-Mesplomb sobre “Naissance d’une nouvelle avant-garde: la caméra-stylo”, de Alexandre Astruc.

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Conferência final “False Movements: on Writing and Film” (11-12 de Junho, 2015)

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Recensão a “Último dia todos os dias”, de Adrian Martin

Último Dia Todos os Dias, o livro de Adrian Martin traduzido por Rita Benis e publicado pela Punctum Books em edição conjunta com o Centro de Estudos Comparatistas, tem hoje uma aparição nas páginas do suplemento ípsilon, do jornal Público. João Lameira escreveu uma recensão intitulada “Teoria e crítica”, que se pode ler também aqui, em baixo.

Último Dia Todos os Dias e Outros Escritos sobre Cinema e Filosofia

Autoria: Adrian Martin
(Trad. Rita Benis)
Punctum Books / Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

A Punctum Books é uma pequena editora nova-iorquina criada por Eillen A. Joy de modo a escoar aquele tipo de obras que, por ser demasiado especulativo, “criativo”, excêntrico, subversivo e pouco institucional, não cabe nas publicações académicas. Assim afirma o crítico de cinema australiano Adrian Martin numa entrevista disponível no Vimeo, a propósito da publicação do seu texto Last Day Every Day: Figural Thinking from Auerbach and Kracauer to Agamben and Brenez pela referida editora. Segundo Martin, Last Day Every Day jamais passaria pelo crivo académico e, por isso, jazia no seu computador há alguns anos já.

Mesmo um leigo em teoria fílmica entende porquê. Last Day Every Day trata de um conceito que, por definição, é indefinível, instável, mutante: a figura. Adrian Martin encontrou-o mais de cem vezes ao traduzir um livro de Nicole Brenez sobre o cinema de Abel Ferrara, sem compreender precisamente o uso que a autora lhe dava. Mesmo depois da leitura de escritos de Paul Ricœur, Siegfried Kracauer, Eric Auerbach e Giorgio Agamben à volta da “figura” e da “análise figural”, a dúvida não se dissipou, nem poderia dissipar-se. A plasticidade do conceito, tanto na sua definição como no seu uso, não lhe permite que adopte uma forma definitiva, sendo só possível abordá-lo por aproximações. Ora, o problema do leitor (o leigo em especial) é exactamente esse. Por virtude do tema, o texto de Martin — para mais, extremamente pessoal e algo intransmissível — é sempre demasiado elusivo, esquivo, escorregadio.

Último Dia Todos os Dias e Outros Escritos Sobre Cinema e Filosofia, também editado pela Punctum Books (e disponível para download gratuito no site desta), em colaboração com o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (através do projecto de investigação Falso Movimento), reúne as traduções de Rita Benis de Last Day Every DayAvatars of the Encounter, também de Martin, e um texto de Cristina Álvarez López sobre Last Day Every Day para aScreening the Past (revista da qual Martin é editor), Figures in a Garden: The Domino Effect, que serve, para todos os efeitos, de prefácio ao livro.

Quando mais não seja, Álvarez López abre uma porta de entrada a Last Day Every Day (que a citada entrevista a Martin escancara). Adrian Martin propôs-se escrever uma história da “figura”, uma narrativa composta por um encadeamento de citações dos autores atrás referidos (Kracauer, Agamben, Brenez), pela ordem em que chegaram até ele. Como explica Martin, é uma espécie de performance que aproveita os preceitos da “análise figural”: a palavra de cada autor comenta a anterior e prevê a seguinte (o efeito dominó do texto de Álvarez López). Ou seja, neste caso, as citações são as figuras. Para se tentar entender um pouco melhor a ideia de “figura” para Martin (pelo que se percebe de uma troca de e-mails, em post scriptum, um pouco diferente da de Nicole Brenez), pegue-se num exemplo dado pelo autor, o filme O Anjo Azul, de Josef von Sternberg. Antes, Martin considerava-o um produto típico do período entre mudo e o sonoro, muito preso de movimentos devido ao peso da câmaras e à ditadura dos microfones. Vendo-o outra vez, aos olhos da análise figural, deu-se conta finalmente (ou intuiu: Martin profere amiúde a palavra serendipitous, este tipo de conhecimento envolve a sorte e o acaso) das intenções do realizador. Os estereótipos (a mulher fatal, o professor babado) eram figuras postas em cena com a sua rigidez. Deste modo, o enredo previsível era tão-só outra figura. Assim como os movimentos de câmara de von Sternberg. A “análise figural” é uma forma de interpretação (Martin ressalva a necessidade de catalogar, de nomear) sobretudo visual, anti-realista, anti-verosimilhança, anti-psicológica (anti-narrativa). Na tal entrevista, Martin lança uma noção interessante: a “análise figural” leva-o a ver qualquer filme como se de desenhos animados se tratasse.

O outro texto de Último Dia Todos os DiasAvatares do Encontro, é menos críptico ou, pelo menos, mais apreensível por qualquer cinéfilo, na maneira como toca mais de perto o cinema. Adrian Martin traça duas lógicas narrativas na sétima arte: a convencional, em que para um efeito há uma causa; e outra, mais onírica, ditada pelo ambiente, pelo estado de espírito, pelos presságios das personagens. É esta que lhe interessa, a dos encontros fortuitos, como o da actriz Maria Vargas (Ava Gardner) e do Conde Torlato-Favrini (Humphrey Bogart) em A Condessa Descalça, de Joseph L. Mankiewicz, fatal e funesto. Avatares do Encontro lembra os ensaios audiovisuais que Martin e Cristina Álvarez López vão lançando com frequência, estando, pois, mais próximo da crítica (uma crítica criativa, talvez), enquanto Last Day Every Day é quase só teoria (criativa também), bem mais árido, por muito que o autor cite um filme ou outro. De qualquer modo, com cerca de 70 páginas, O Último Dia Todos os Dias nunca custa a ler, nem é propriamente denso, suscitando pensamentos estimulantes, mesmo quando não se atinge tudo o que autor pretende dizer (ou por causa disso).

No site do Público.

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Conferência “False Movements: on Writing and Film”. 11 e 12 de Junho. Fac. Letras de Lisboa

Convidamo-lo/a a assistir à conferência final do projecto “Falso Movimento – estudos sobre escrita e cinema”, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
A conferência “False Movements: on writing and film” acontecerá na Faculdade de Letras de Lisboa, nos dias 11 e 12 de Junho, e contará com a presença da equipa e dos consultores do Projecto, Marc Cerisuelo, Tom Conley e Rosa Maria Martelo.
Será ainda projectada uma selecção de video essays de Adrian Martin e Cristina Álvarez López.
Em baixo, o cartaz e a programação.
Agradecemos toda a divulgação.
False Movements - cartaz False Movements - programa

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José Manuel Costa na FCSH

A próxima sessão da Oficina de História e Imagem do Instituto de História Contemporânea tem lugar já nesta sexta-feira, dia 29, às 15h30, e terá a participação do Director da Cinemateca Portuguesa, Eng.º José Manuel Costa. A sessão tem como título “A parte imersa do icebergue. As condições históricas da criação e evolução das cinematecas como fator decisivo na análise das suas missões contemporâneas”.

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FCSH, UNL

Edifício ID, Piso 0, Sala 0.06

ENTRADA LIVRE

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V Encontro anual da AIM – 21-23 de Maio

Começa hoje, no ISCTE, o V encontro anual da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, que se prolongará até sábado, dia 23.

Mais informações no site do AIM.

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Sobre Herberto Helder, na próxima segunda-feira, dia 27

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CINEMAPOESÍA 2015

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21/04 INAUGURACIÓN DE CINEMAPOESÍA 2015: II FESTIVAL INTERNACIONAL DE LITERATURA & MEDIOS INTERACTIVOS

CINEMAPOESÍA: Es el nombre del  Festival Internacional de Literatura & interactivos    que se realizará en Lima del 21 al 26 de Abril y en Cuzco el 28 del mismo mes. El  objetivo del festival es crear nuevos públicos para la literatura en su relación con las artes audiovisuales y visibilizar nuevos formatos para la enseñanza de la literatura.
La organizadora de la segunda edición de CINEMAPOESÍA  es La Catrina Producciones.  El nombre CINEMAPOESÍA está inspirado en el poeta puneño Carlos Oquendo de Amat y su libro 5 Metros de poemas, al celebrarse este 17 de abril, 110 años de su nacimiento.

5 Metros de poemas es uno de los primeros referentes en Latinoamericana de la interrelación de la literatura y las nuevas tecnologías y pieza clave para CINEMAPOESÍA 2015.

El próximo martes 21 de abril a las 7 p.m. el ESPACIO FUNDACIÓN TELEFÓNICA, ubicado en la Av. Arequipa 1155 será la sede inaugural y antesala a las proyecciones con la conferencia “Nuevos formatos para la enseñanza de la Literatura Peruana”.

La mesa estará a cargo de Diego Lazarte, Katherine Estrada y Erick Sarmiento. Donde se reunirá a tres especialistas en educación y literatura para debatir las funcionalidades y didácticas de las herramientas tecnológicas que promueven la actividad lectoescritora en las aulas; además de presentarnos las posibilidades y limitaciones desde su experiencia concreta. Sarmiento desde su rol como gestor cultural en centros poblados de Cañete; Estrada como editora de poesía y narrativa, y Lazarte como creador de contenidos audiovisuales.

Dentro de las actividades de Cinemapoesía tendremos el homenaje a la poeta María Emilia Cornejo. El jueves 23 a las 6 p.m. en laCasa de la Literatura Peruana  (Ex Estación Desamparados) se proyectará el corto-documental La Muchacha Mala de la Historia (La Catrina Producciones & CASLIT, 2015). Además tendremos el conversatorio “En la mitad del camino recorrido” a cargo de Diana Miloslavich y Cecilia Podestá, luego de ello habrá  una lectura de poemas inéditos de mec (extraídos del cuaderno Romance de la muchacha ebria) presentado por Charo Arroyo, amiga de la poeta y quien nos ha proporcionado este manuscrito entregado por María Emilia poco antes de su muerte.  Luego podremos escuchar algunos de estos poemas inéditos en las voces de las poetasAlessandra Tenorio, Virginia Benavides, Karina Valcárcel y Luz Ascárate.

Cinemapoesía también tendrá un taller en esta edición titulado “POESÍA SONORA Y CÓDIGO” programado para el 22, 23 y 24 de abril de 16:00 a 19:00 Hrs. En el ESPACIO FUNDACIÓN TELEFÓNICA y estará a cargo del Colectivo Radiador (México).

Las actividades del taller estarán enfocadas en la práctica de estrategias que vinculen el lenguaje escrito con el sonido para el desarrollo de propuestas de arte sonoro generativo. Los temas tratados en el taller ofrecerán un panorama de algunas posibilidades que relacionan la creación sonora con la literaria.
El colectivo [radiador] está conformado por Alberto Cerro, Iván Esquinca, Mauro Herrera, Jaime Lobato  y Fernando Lomelí. Fue fundado en 2008 y desarrolla su labor artística entre la improvisación sonora, la experimentación con artes multimedia, el performance  y la impartición de talleres. Ha participado en eventos como el  Simposio Internacional de Live Coding “VIVO” (2012), el  Festival de Artes Electrónicas y Video “Transitio_MX”(2011), el Festival Internacional Cervantino (2010) y el Festival “Primavera en la Habana”, Cuba (2010).

Otras sedes del festival serán La Plazuela de las Artes (Teatro Municipal), Cholo Art &  Fun, el colegio Viña de Jesús de Naranjal (S.M.P) y La Casa de Panchita.

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Aula aberta na FCSH, hoje, com Luís Mendonça e Carlos Natálio

Seminário Cinema e Pensamento

Dia 14 e Abril (terça-feira), às 18-20h, na sala T1, torre B, da FCSH/NOVA

Título: Cinema: teoria, critica e ensaio audiovisual

Esta aula irá abordar o problemático eixo relacional entre a teoria e a crítica, no campo específico do cinema, num contexto de reformulação de todos os domínios envolvidos, inclusive o da própria ontologia da sétima arte. Numa primeira parte abordar-se-á genericamente uma genealogia da relação entre cinema e pensamento teórico, partindo de uma noção mais lata ainda de relação entre arte e ciência conforme estabelecida por Gilles Deleuze no célebre livro “O que é a filosofia?”. Num segundo momento tentar-se-á fazer uma pequena genealogia da importância e história da critica de cinema. O objectivo será perceber as tensões, diferenças e receios entre estes dois campos para acolher a problemática da verdadeira natureza do ensaio audiovisual. Num terceiro momento, e apoiando-nos em exemplos concretos, falaremos destes objectos, entre a teoria, a crítica e o movimento criativo, como hipóteses que poderão desenlaçar simultaneamente o nó identitário do cinema, erigindo-se a pergunta “o que é o cinema?” em traço recorrente e ontológico do próprio, ao mesmo tempo que se traça a união entre o gesto da criação, da critica e da anotação sobre o arquivo, num movimento de expansão hermenêutica do próprio movimento cinematográfico.

Oradores: Carlos Natálio e Luís Mendonça.

Organização: CECL – Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens.

PS: Esta é uma aula aberta em sentido duplo: às ideias, na sua dispersão e instabilidade próprias, e a todos os que queiram participar nela (sejam ou não alunos da FCSH, sejam ou não estudiosos do cinema).

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Philosophy’s Artful Conversation, D.N. Rodowick

A propósito da crítica ao novo livro de D. N. Rodowick, Reno Lauro aproveitou para escrever também sobre o anterior, Elegy for Theory. No Senses of Cinema.

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